O terceiro dia no Arquipélago amanheceu com céu azul e mar de almirante, e para aproveitar bem nosso último dia partimos logo cedo para o primeiro mergulho: o naufrágio Santa Catarina, um cargueiro alemão que foi posto a pique por cargas explosivas em 12/10/1914 após ter sido atacado por um cruzador inglês, o Glasgow, durante a primeira grande guerra. A carga do navio era de querosene, cimento, implementos agrícolas e, apesar de não registrado, encontramos várias munições no naufrágio. A visibilidade da água já estava melhor comparada aos dias anteriores e aos 14m de profundidade já estávamos no navio. O naufrágio encontra-se semi-inteiro, onde também foi possível ver várias garrafas de cervejas bastantes conservadas.*
Depois de 38 minutos de fundo foi hora de subir e já partir para o último mergulho da viagem, na Língua da Siriba. Como o tempo era curto, enquanto os mergulhadores iam para o fundo, um outro pessoal foi convidado a desembarcar na Ilha Siriba, juntamente com a guarda-parque Berna, então decidimos que eu iria para a Ilha e a Júlia iria mergulhar, assim não perdíamos nenhum momento em Abrolhos.
A Ilha da Siriba possui aproximadamente 300m de extensão por 100m de largura. Fomos caminhando ao redor da ilha enquanto a Berna falava sobre a flora, fauna e geologia local. A vegetação da ilha restringe-se a umas poucas espécies de plantas baixas, na maioria gramíneas. Existem também alguns coqueiros plantados. O solo pouco profundo e ausência de água doce são dois fatores limitantes para a ocorrência de vegetação de maior porte. O mais interessante, no entanto, é a possibilidade de ver de perto os ninhos dos atobás. Eles fazem os seus ninhos no chão e passamos caminhando bem perto deles. O arquipélago abriga ainda outras aves marinhas atraídas pela farta alimentação:
Fragata (Fregata magnificens): A fragata também conhecida como rabo-forcado, mede quase 1 metro e pesa 1,5 kg. O macho é preto com o papo vermelho que durante o acasalamento se infla. A fêmea é negra com o peito branco. As fragatas nidificam na Ilha Redonda e seu ninho é construído com ramos e raízes secas sobre as moitas de vegetação. Alimentam-se de peixes e, ao contrário dos atobás, não mergulham, capturando seu alimento pela superfície ou roubando o alimento dos próprios atobás, em um compartamento chamado de cleptoparasitismo.
Grazina ou Rabo-de-palha (Phaethon aethereus): Reproduz-se em todas as ilhas, sendo sua maior colônia reprodutiva no litoral brasileiro em Abrolhos. Utilizam como local para ninho reentrâncias em penhascos e cavidades entre blocos de rochas no solo. A postura é de apenas um ovo e, em geral, há pouco ou nenhum material no ninho; o filhote nasce com uma penugem acinzentada que vai sendo substituída pelas penas, apresentando, nesta fase, o bico amarelado.
Benedito ou Andorinha-do-mar-preta (Anous stolidus): A principal colônia localiza-se na Ilha Guarita, anualmente reproduz-se em Abrolhos, de fevereiro a setembro e em seguida migra para outras áreas. A postura, em geral de apenas um ovo, é feita diretamente no solo ou em ninhos confeccionados com algas do gênero Sargassum, além de vegetais terrestres. A incubação dura, em média, 32 dias e o filhote nasce com uma penugem que varia de branca a marrom-escura. Há um revezamento dos pais no cuidado com o filhote, que é alimentado com pequenos peixes, suas larvas e lulas.
Piloto-branco ou Atobá-mascarado (Sula dactylatra): É a espécie mais comum em Abrolhos, reproduzindo-se em todas as ilhas do arquipélago com as maiores concentrações nas ilhas de Santa Bárbara, Siriba e Sueste. Uma estimativa da população nidificante em julho de 1994 indicou a presença de cerca de 800 indivíduos com ovos e/ou filhotes no arquipélago. O ninho, com pouco ou nenhum material, é construído, prefrencialmente, em áreas planas. Essas aves chocam os ovos e nascem no máximo dois filhotes. Desses dois, apenas um vai sobreviver: o que a mãe escolher como o mais forte e com mais chance de sobrevivência e dá prioridade a alimentá-lo. O filhote fica aninhado até adquirir penugem suficiente.
Julia: Nosso segundo mergulho do dia foi na chamada Língua da Siriba, que é uma extensão da ilha em formato de cunha. Novamente com muitos corais e grande quantidade de vida, foi nosso mergulho mais longo. Depois que dois mergulhadores subiram, eu e o Maurício ainda não estávamos satisfeitos e continuamos. Passando uma hora, resolvemos retornar, e na minha última olhada para os corais, antes de voltar para a areia e para fechar os mergulhos com “chave de ouro”, avistei um tubarão-lixa de aproximadamente 1,5m. Infelizmente ele não ficou “dando sopa”, e só consegui um registro para pelo menos não passarmos por mentirosos! hahaha! Valeu a pena!!!
Após nossa visita a Siriba, o retorno dos mergulhadores e nosso maravilhoso almoço, foi a triste hora de içar âncora e partir rumo a Caravelas…nos despedimos de Abrolhos com mar calmo e céu azul. Depois de 4 horas de navegação, chegamos finalmente à terra firme. Foram 3 dias incríveis que com certeza não esqueceremos tão cedo. Mais uma vez muito obrigada à Apecatu Expedições, Laila e Thomas, que nos ajudou a embarcar nesse sonho e a toda tripulação do Titan, incluindo nosso instrutor Maurício, além é claro, dos novos amigos feitos a bordo: Urano, Carla, Camila, André, Letícia, Norma e Pedro.
* informações extraídas do site Naufrágios do Brasil, onde podem ser obtidos mais dados sobre o Santa Catarina.


















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